Três médicas foram indiciadas pela a morte de um paciente emuma clínica de hemodiálise de Goiânia. De acordo com a Polícia Civil, além delas, uma enfermeira e um técnico também vão responder por homicídio culposo, pela morte de Fructuoso Ribeiro Rosa, de 84 anos. A investigação apontou que o paciente teve contaminação por bactéria durante uma sessão.

“Após a sessão de hemodiálise, o idoso sofreu o que eles denominam de reação pirogênica, que é tremores, náuseas e vômitos. Ele já saiu da sessão em estado grave. Não se pode divorciar essa cadeia de acontecimentos da hemodiálise. A água estava contaminada, tanto é que a Vigilância Sanitária interditou a clínica”, explicou o delegado Manoel Borges.


O caso aconteceu em 2016, mas o inquérito com mais de 300 páginas só foi finalizado e remetido à Justiça na terça-feira (30). As três médicas indiciadas são as donas da unidade, segundo a polícia.

Em nota à TV Anhanguera, a defesa das três médicas disse que não havia sido notificada oficialmente do indiciamento das clientes. Disse ainda que causa estranheza o inquérito ter sido concluído tanto tempo depois do foto. Segundo a defesa, as provas anexadas ao processo indicam inocência das donas da clínica.

Para a família do idoso, agora fica a saudade e a sensação de que a Justiça foi feita.

“Hoje foi gratificante, porque encerrou e a polícia provou que realmente foi uma contaminação que tirou a vida dele”, disse a viúva Alta Soares Rosa.
Investigação
As investigações começaram após idoso morrer um dia depois de uma sessão de hemodiálise em uma clínica no Jardim América e a família procurar a Polícia Civil.

A corporação descobriu que no dia 4 de junho de 2016, cinco pacientes sentiram tremores, náuseas, vômitos e calafrios após a hemodiálise. Mesmo assim, a clínica não interrompeu as atividades, conforme apuraram os investigadores.

No dia 5 de julho do mesmo ano, 23 pacientes também se queixaram do mal estar, desses, cinco foram parar na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Um deles era o idoso que morreu.

Apesar do laudo do Instituto Médico Legal não apontar a causa específica da morte do idoso, o delegado disse que não teve dúvidas de que houve um crime e seguiu com as investigações.

O delegado informou ainda que os outros pacientes que passaram mal depois da hemodiálise e sobreviveram não registraram a ocorrência na Polícia Civil. Na época da contaminação, a Vigilância Sanitária também identificou outras irregularidades na clínica.

De acordo com o inquérito policial, a unidade deveria ter comunicado para as autoridades da Saúde sobre as reações dos pacientes, o que não foi feito. Além disso, foi constado que a clínica não tinha um núcleo de segurança para agir e dar assistência nesses casos de contaminação.

Os cinco indiciados vão responder por homicídio culposo, quando não há a intenção de matar. Se condenados, a pena pode chegar de um a três anos de prisão.